Editora da UFSC lança obra de Karl Marx durante evento ‘Livro na Praça’

09/03/2026 08:07

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) lança, no dia 13 de março de 2026, o livro Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres 1851, de Karl Marx. O lançamento ocorre durante o evento Livro na Praça, a partir das 19h, na Igrejinha da UFSC, em Florianópolis.

A sessão contará com as participações dos professores Nildo Ouriques e Sílvio Marcus de Souza. A programação inclui ainda intervenções musicais de Julia Ouriques (violino), Vitor Vieira (rabeca) e Ana Gabriela Cordeiro (percussão).

Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851, é a primeira obra de Karl Marx publicada pela EdUFSC, marcando o início de uma linha editorial voltada ao pensamento crítico latino-americano e à teoria social.

“Há também com Marx o caso espantoso de obras inéditas dele, às vezes simples notas de estudo, borradores, que ele jamais pensou em publicar, mas que uma vez lançadas ao público, provocam polêmicas acaloradas”, afirmou o antropólogo Darcy Ribeiro. Este livro atualiza esse recado e apresenta ao público brasileiro um Marx ainda pouco conhecido: o estudioso das civilizações pré-hispânicas e do colonialismo.

O volume reúne textos inéditos nos quais Marx explora temas fundamentais para a compreensão da formação do capitalismo mundial. A partir de uma leitura crítica das obras de William H. Prescott – “História da Conquista do México” (1843) e “História da Conquista do Peru” (1847) – Marx oferece uma análise detalhada das “formações econômicas pré-capitalistas” e desenvolve uma teoria marxiana sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista mundial.

Além dos estudos sobre o mundo pré-hispânico, o livro contém importantes comentários e notas sobre o tráfico africano de escravos e a política colonial do império britânico, revisando estudos de Thomas Hodgskin, Felix Wakefield e outros autores do período. Esse material revela não apenas registros históricos valiosos, mas uma teoria abrangente sobre o colonialismo e sua relação intrínseca com o desenvolvimento do capitalismo.

O organizador da obra, diretor da EdUFSC, Nildo Ouriques, observa que é “corrente a ideologia segundo a qual Marx não mergulhou fundo na antropologia”. No entanto, os Cadernos de Londres e estes estudos sobre o mundo pré-hispânico demonstram o contrário. Marx, ao contrário do acadêmico moderno, recusava a divisão burguesa do conhecimento, resultado da divisão social do trabalho. Sua trajetória foi marcada por uma curiosidade intelectual desmedida que incluiu, na última fase de sua vida, até o aprendizado do idioma russo para compreender os debates dos populistas russos.

As anotações de próprio punho, registradas em longos cadernos, revelam o rigoroso método de estudo de Marx e sua capacidade extraordinária de trabalho. Este material constitui um farto acervo historiográfico e antropológico que demonstra como o pensador alemão ampliou progressivamente seu olhar para além da Europa ocidental, reconhecendo que o mundo era muito mais vasto do que aquele que ocupou a primeira fase de seus estudos.

Relevância e acessibilidade

“A questão não é a vitalidade e o exemplo de Marx, mas, ao contrário, é o acirramento da luta de classes em escala mundial e em nosso país que seguirá motivando ataques contra ele e sua imensa e insuperável obra”, afirma Ouriques. A publicação deste volume se inscreve no esforço necessário para autorizar o acesso aos escritos, anotações e estudos de Marx sobre a América Latina, contribuindo para corrigir a histórica defasagem de traduções no Brasil em comparação com outros países latino-americanos.

A obra está organizada de forma que não necessita conhecimento prévio da teoria marxista, tornando-se acessível a antropólogos, historiadores, economistas, sociólogos, cientistas políticos, acadêmicos e o público em geral interessado em compreender as raízes históricas do colonialismo e do capitalismo na América Latina.

Serviço:

Evento: Lançamento do livro “Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres 1851”, de Karl Marx
(Primeira publicação de Karl Marx pela EdUFSC; reúne textos inéditos sobre formações econômicas pré-capitalistas, colonialismo e mundo pré-hispânico, com leituras críticas de William H. Prescott e comentários sobre o tráfico de escravos e a política colonial britânica)
Data e horário: 13 de março de 2026 (sexta-feira), às 19h
Local: Igrejinha da UFSC, Campus Trindade, Florianópolis
Mais informaçõeseditora.ufsc.br

Tags: Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres 1851EdUFSCIgrejinha da UFSCKarl MarxLivro na PraçaNildo OuriquesUFSC

Obra da Editora da UFSC é tema de artigo na revista Cadernos de África Contemporânea

04/02/2026 13:04

A revista Cadernos de África Contemporânea, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), publicou um artigo do professor Sílvio Marcus de Souza Correa, do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que examina a obra Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres, 1851, lançada pela Editora da UFSC.

O livro organiza e apresenta excertos de Karl Marx sobre o entrelaçamento entre colonialismo e capitalismo no século XIX, permitindo acompanhar como Marx observou:

  • a expansão imperial europeia e seus mecanismos econômicos;
  • a violência material e simbólica da colonização;
  • as formas de extração de valor e de reorganização do trabalho nos territórios coloniais;
  • e as conexões entre metrópole e colônia na formação dos mercados mundiais.

No artigo, Correa salienta a importância histórica desses textos para compreender a gênese do capitalismo global e argumenta que a seleção ilumina debates atuais sobre colonialidade, dependência e economia política. Um ponto enfatizado é o caráter inédito de parte do material em português: a edição reúne trechos de obras oitocentistas, muitas delas ainda não traduzidas, que chegam ao leitor por meio dos excertos citados por Marx.

O autor também destaca o valor metodológico da coleção. Em um contexto em que estudantes frequentemente recorrem a ferramentas de Inteligência Artificial para obter resumos, a edição propõe um retorno ao trabalho filológico e comparativo: ler fragmentos no seu enquadramento histórico, cotejar fontes, explicitar referências e reconstruir argumentos. Segundo Correa, esse método – aparentemente anacrônico – oferece à nova geração uma prática de estudo rigorosa, que complementa (e por vezes corrige) os atalhos dos resumos automáticos.

O artigo completo pode ser consultado na plataforma da revista.

Mais informações: editora.ufsc.br

Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

Leia mais: Editora da UFSC lança textos inéditos de Karl Marx e marca início de nova linha editorial

Tags: Cadernos de África ContemporâneaCapitalismo e colonização: extratos e notasEditora da UFSCHistóriaKarl MarxSílvio Marcus de Souza CorreaUFSCUNEB

Editora da UFSC lança textos inéditos de Karl Marx e marca início de nova linha editorial

19/11/2025 17:56

Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851, é a primeira obra de Karl Marx publicada pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), marcando o início de uma linha editorial voltada ao pensamento crítico latino-americano e à teoria social. O lançamento oficial da coletânea inédita de textos e anotações de Marx – traduzida pela primeira vez para o português – será realizado no dia 6 de dezembro de 2025, às 16h, na Livraria Tapera Taperá, em São Paulo.

“Há também com Marx o caso espantoso de obras inéditas dele, às vezes simples notas de estudo, borradores, que ele jamais pensou em publicar, mas que uma vez lançadas ao público, provocam polêmicas acaloradas”, afirmou o antropólogo Darcy Ribeiro. Este livro atualiza esse recado e apresenta ao público brasileiro um Marx ainda pouco conhecido: o estudioso das civilizações pré-hispânicas e do colonialismo.

O volume reúne textos inéditos nos quais Marx explora temas fundamentais para a compreensão da formação do capitalismo mundial. A partir de uma leitura crítica das obras de William H. Prescott – “História da Conquista do México” (1843) e “História da Conquista do Peru” (1847) – Marx oferece uma análise detalhada das “formações econômicas pré-capitalistas” e desenvolve uma teoria marxiana sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista mundial.

Além dos estudos sobre o mundo pré-hispânico, o livro contém importantes comentários e notas sobre o tráfico africano de escravos e a política colonial do império britânico, revisando estudos de Thomas Hodgskin, Felix Wakefield e outros autores do período. Esse material revela não apenas registros históricos valiosos, mas uma teoria abrangente sobre o colonialismo e sua relação intrínseca com o desenvolvimento do capitalismo.

O organizador da obra, professor e diretor da EdUFSC, Nildo Ouriques, observa que é “corrente a ideologia segundo a qual Marx não mergulhou fundo na antropologia”. No entanto, os Cadernos de Londres e estes estudos sobre o mundo pré-hispânico demonstram o contrário. Marx, ao contrário do acadêmico moderno, recusava a divisão burguesa do conhecimento, resultado da divisão social do trabalho. Sua trajetória foi marcada por uma curiosidade intelectual desmedida que incluiu, na última fase de sua vida, até o aprendizado do idioma russo para compreender os debates dos populistas russos.

As anotações de próprio punho, registradas em longos cadernos, revelam o rigoroso método de estudo de Marx e sua capacidade extraordinária de trabalho. Este material constitui um farto acervo historiográfico e antropológico que demonstra como o pensador alemão ampliou progressivamente seu olhar para além da Europa ocidental, reconhecendo que o mundo era muito mais vasto do que aquele que ocupou a primeira fase de seus estudos.

Relevância e acessibilidade

Karl Marx

“A questão não é a vitalidade e o exemplo de Marx, mas, ao contrário, é o acirramento da luta de classes em escala mundial e em nosso país que seguirá motivando ataques contra ele e sua imensa e insuperável obra”, afirma Ouriques. A publicação deste volume se inscreve no esforço necessário para autorizar o acesso aos escritos, anotações e estudos de Marx sobre a América Latina, contribuindo para corrigir a histórica defasagem de traduções no Brasil em comparação com outros países latino-americanos.

A obra está organizada de forma que não necessita conhecimento prévio da teoria marxista, tornando-se acessível a antropólogos, historiadores, economistas, sociólogos, cientistas políticos, acadêmicos e o público em geral interessado em compreender as raízes históricas do colonialismo e do capitalismo na América Latina.

Mais informações: editora.ufsc.br

Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

 

Divisão de Imprensa do GR | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: Capitalismo e colonização: extratos e notasEdUFSCKarl MarxLançamento EdUFSCLivraria Tapera TaperáNildo OuriquesUFSC