Banco vermelho: UFSC defende mobilização coletiva contra a violência às mulheres

03/09/2026 10:05

No Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, a pintura foi promovida pela Administração Central da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

A cor vermelha ganhou um significado especial nos espaços da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na tarde desta quarta-feira, 2 de setembro. Em uma ação realizada simultaneamente em 14 unidades da instituição, membros da comunidade universitária se reuniram para pintar bancos e chamar a atenção para o enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres.

A mobilização ocorreu nos centros Socioeconômico (CSE), de Comunicação e Expressão (CCE), Tecnológico (CTC), de Desportos (CDS), de Ciências Agrárias (CCA), de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM) e de Ciências Biológicas (CCB), além dos campi de Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville, da Biblioteca Universitária (BU) e do Hospital Universitário (HU).

No Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, a pintura foi promovida pela Administração Central da UFSC. A atividade contou com a participação da vice-reitora, Felipa Amadigi; da secretária de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE), Maria de Lourdes Alves Borges; da pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), Evelise Santos Sousa, do secretário de Comunicação (Secom), Aureo Moraes, setores que promoveram a iniciativa.

Instalados em locais de grande circulação, os bancos vermelhos buscam romper o silêncio e manter o tema presente no cotidiano da Universidade. Mais do que as intervenções visuais, eles representam um convite ao diálogo, à escuta e à reflexão sobre relações marcadas pela misoginia e pelo sexismo. A iniciativa também possui caráter preventivo, educativo e pedagógico, ao estimular a comunidade a reconhecer situações de violência e se posicionar diante delas.

Vice-reitora da UFSC, Felipa Amadigi

Durante a atividade, a professora Felipa ressaltou a urgência de fortalecer a participação e a voz feminina nos diferentes ambientes da instituição. A vice-reitora contextualizou que o banco pintado coletivamente torna-se um símbolo de responsabilidade compartilhada; e que cada pincelada representa a possibilidade de transformar um espaço de passagem em um lugar de memória, conscientização e compromisso.

“Cada um de vocês seja muito bem-vindo a refletir sobre o tema, a encarar esse desafio de defender a voz das mulheres, de defender as mulheres em qualquer espaço em que elas estejam ou queiram estar”, declarou Felipa.

A vice-reitora também reforçou que o combate à violência passa necessariamente pela educação e pelo envolvimento de toda a sociedade. Proteger as mulheres, segundo ela, também significa promover relações baseadas no respeito, enfrentar atitudes discriminatórias e construir ambientes nos quais as vítimas se sintam seguras para falar e buscar ajuda.

Felipa destacou ainda que se trata de todas as mulheres: “das que estão nos espaços de gestão, das docentes, das nossas estudantes, das nossas mães, das mulheres indígenas, quilombolas e trans”, afirmou. Garantir que todas as pessoas sejam ouvidas, reconhecidas e protegidas, acrescentou, não pode depender apenas de atitudes individuais. O enfrentamento à violência requer um esforço coletivo, envolvendo a gestão universitária, os diferentes setores da instituição e toda a comunidade acadêmica.

Como parte desse compromisso, a UFSC pretende cumprir as etapas possíveis para concorrer a um selo concedido ao reconhecimento de instituições de ensino superior comprometidas com o combate à violência contra as mulheres. “A nossa Universidade vai se dedicar a percorrer todas as etapas para garantir que, na UFSC, as mulheres tenham liberdade e proteção contra a violência”, declarou a vice-reitora.

Ao final da atividade, Felipa lembrou que o convite simbolizado pelos bancos vermelhos não termina quando a tinta seca. A proposta é fazer com que a reflexão permaneça e se transforme em atitudes concretas de prevenção, acolhimento e denúncia. “A gente convida todo o mundo para pintar, mas também para se incomodar com o que estamos falando e replicar essas informações, para evitar que as mulheres continuem sendo vítimas de violência e de feminicídio”, concluiu.

Iniciativas da UFSC

O campus Trindade da UFSC já possui um banco vermelho, inaugurado em abril deste ano em homenagem à estudante Catarina Kasten, que foi assassinada por um homem no dia 21 de novembro de 2025, na trilha da praia do Matadeiro, em Florianópolis. O banco está localizado em frente ao Centro de Comunicação e Expressão (CCE), onde Catarina cursava pós-graduação em Inglês – Estudos Linguísticos e literários.

A Universidade aprovou recentemente uma Política de Equidade de Gênero no âmbito da UFSC (Resolução Normativa Nº 231, do Conselho Universitário). Entre outros objetivos, a política estabelece a busca da equidade de gênero e a prevenção e enfrentamento de todas as formas de violência baseadas no gênero das pessoas.

Na UFSC, existem canais de denúncias, como a Ouvidoria, e também o Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (Seavis), vinculado à Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe). O Seavis é um espaço seguro onde estudantes ou servidores da UFSC que tenham passado por situações de violência encontram acolhimento, orientações e acompanhamento para lidar com essas situações.

Em relação às violências e discriminações de gênero e LGBTfóbicas, a Coordenadoria de Diversidade Sexual e Enfrentamento da Violência de Gênero (CDGen), da Proafe, ocupa papel central.

Sua atuação envolve escuta empática, acolhimento, encaminhamentos internos e externos, apoio e orientação para a realização de denúncias e acompanhamento de demandas relacionadas às vivências de violência, discriminação por orientação sexual e/ou identidade de gênero e violência contra as mulheres na comunidade universitária.

Há cerca de cinco anos, a CDGen mantém projetos de extensão de caráter educativo e conscientizador, como o “Entre Laços”, em formato de grupo reflexivo, realizado virtualmente, com rodas de compartilhamento, escuta e apoio às mulheres; e o “Refletindo masculinidades”, grupos reflexivos voltados a homens, em formato de rodas de conversa virtuais.

Peça ajuda!

Se você está passando por uma situação de violência ou conhece alguém que esteja, procure ajuda. A denúncia pode ser feita de forma anônima. Ligue 180 ou pelo WhatsApp (61) 9610-0180.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do Gabinete da Reitoria
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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UFSC realiza pintura de bancos vermelhos pelo enfrentamento à violência contra mulheres

27/08/2026 15:10

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promoverá, na segunda-feira, 31 de agosto, às 15h, uma ação institucional de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres. Durante a mobilização, a comunidade universitária pintará de vermelho, de forma simultânea e coordenada, bancos localizados em centros de ensino e campi da Universidade. A atividade integra a programação do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência doméstica e às outras formas de violência do gênero.

A Biblioteca Universitária (BU) e o Hospital Universitário (HU) também participam da iniciativa. A Administração Central da UFSC realizará a pintura de um banco no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luís Carlos Cancellier de Olivo.

Mais do que uma intervenção visual, os bancos vermelhos representam o lugar vazio deixado pelas vítimas do feminicídio. A cor faz referência ao sangue das mulheres vítimas da violência e constitui um alerta em defesa da vida: as mulheres não podem continuar sendo mortas pelo fato de serem mulheres.

Instalados em espaços de grande circulação, os bancos procuram chamar a atenção da comunidade universitária e dos visitantes para a gravidade do problema, incentivando o diálogo e a reflexão entre homens e mulheres. A iniciativa também tem caráter preventivo, educativo e pedagógico, ao estimular a divulgação sobre as relações marcadas pela misoginia e pelo sexismo.

A ação integra uma campanha nacional que prevê a instalação de bancos e a realização de atividades de conscientização. De origem internacional, o projeto foi regulamentado no Brasil pela Lei nº 14.942/2024 e também contribui para divulgar os canais de acolhimento e denúncia.

Na UFSC, o primeiro banco vermelho foi instalado em abril de 2026, no Centro de Comunicação e Expressão (CCE), no campus de Trindade, em Florianópolis, durante o Memorial Catarina Kasten. A nova mobilização amplia a presença do projeto na Universidade e reforça o compromisso institucional com iniciativas sociais e educativas voltadas para a defesa dos direitos das mulheres.

Peça ajuda!

Se você está passando por uma situação de violência ou conhece alguém que esteja, procure ajuda. A denúncia pode ser feita de forma anônima. Ligue 180 ou pelo WhatsApp (61) 9610-0180 .

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