UFSC celebra 65 anos com arte e reconhecimento a trajetórias profissionais

15/12/2025 17:32

Sessão Solene de 65 anos da UFSC foi realizada nesta segunda-feira, 15 de dezembro. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Seis educadores e quatro técnicos-administrativos em Educação (TAEs) com destacadas trajetórias profissionais foram homenageados no aniversário de 65 anos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) [1960-2025]. A manhã desta segunda-feira, 15 de dezembro, foi de muita celebração, marcada por apresentações artísticas, sessão de fotos e reconhecimento institucional de dez histórias de vidas que se somam às mais altas dignidades universitárias: Professor Emérito, Técnico Emérito e Doutor Honoris Causa.

A data, a mais especial para a instituição, foi comemorada em tradicional sessão solene do Conselho Universitário (CUn), no Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no campus Trindade, em Florianópolis. A solenidade foi transmitida ao vivo pelo canal do CUn no YouTube. O ponto alto da solenidade foi a concessão das dignidades universitárias, acompanhada do lançamento de vídeo em homenagem aos 65 anos, e por apresentações de sapateado e acrobacias.

O evento também foi cercado de formalidades e simbolismos: cerimonial, discursos, trajes protocolares e o uso da borla nas outorgas. Os conselheiros ingressaram no auditório conduzidos pelo reitor e presidente do CUn, Irineu Manoel de Souza, pela vice-reitora e vice-presidente, Joana Célia dos Passos, e pela secretária-geral dos Órgãos Deliberativos Centrais, Raquel Pinheiro, e ocuparam os assentos reservados nas três primeiras fileiras do centro.

Inicialmente, o reitor permaneceu na plateia, ao lado dos conselheiros, para assistir a dois vídeos: um comemorativo – que contou um pouco desta história de mais seis décadas que faz da UFSC, segundo o slogan “orgulho catarinense, patrimônio nacional” -; e outro de caráter institucional que evidenciou a estrutura física e de pessoas da quarta melhor universidade federal do país. Na sequência das exibições, o reitor foi convidado a compor a mesa de honra juntamente com a vice-reitora, a secretária-geral e o presidente do Conselho de Curadores, Edson Bazzo.

“Cumprimento os membros do Conselho Universitário e todas as pessoas aqui presentes e declaro aberta esta Sessão Solene do Conselho Universitário, em comemoração aos 65 anos da Universidade Federal de Santa Catarina e de outorga das dignidades universitárias aprovadas em 2025”, disse o reitor.

A sessão contou com a presença dos homenageados e seus familiares e amigos, membros do Gabinete da Reitoria, pró-reitores, secretários, diretores, chefes de departamento, coordenadores de curso, lideranças estudantis e sindicais, além de autoridades acadêmicas e da sociedade civil.

Reconhecimento Inédito

Pela primeira vez em sua história, a UFSC concedeu o título de Técnico-Administrativo Emérito — criado e aprovado pelo colegiado neste ano. A honraria pioneira foi entregue às irmãs Helena Olinda Dalri e Ângela Olinda Dalri, à Raquel Jorge Moysés e ao filho de José de Assis Filho (in memoriam).

Na outorga das medalhas e dos títulos, destacou-se a contribuição decisiva de cada homenageado à vida universitária. O reitor Irineu resumiu o espírito da cerimônia ao afirmar que cada reconhecimento distingue “os relevantes serviços prestados a esta instituição ao longo de uma trajetória profissional exemplar”.

A criação do título de Técnico Emérito marca um avanço na política de valorização da UFSC. Destinado a servidores aposentados, ele distingue percursos que se sobressaem pelo elevado mérito profissional e pelos serviços relevantes prestados à universidade – histórias de luta e dedicação que ajudaram a construir ontem a instituição de hoje.

Na sequência, uma exposição breve dos motivos pelos quais essas trajetórias foram escolhidas, com alguns trechos de suas falas na entrega da homenagem:

Helena Olinda Dalri

A UFSC reconhece em Helena uma trajetória exemplar que une três dimensões fundamentais do serviço público universitário. Seus 33 anos de dedicação ao Curso de Direito do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) estabeleceram um padrão de excelência no atendimento que transcendeu gerações, conquistando o reconhecimento espontâneo de estudantes em formaturas e eventos oficiais. Sua participação em dois mandatos no Conselho Universitário demonstrou capacidade de contribuir estrategicamente para os rumos institucionais, enquanto a Medalha Francisco Dias Velho pela Câmara Municipal atesta seu impacto além dos muros da universidade. A homenagem valoriza ainda sua liderança sindical histórica, desde o Movimento Alternativo Independente até a direção do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC (Sintufsc), onde foi protagonista nas lutas pela carreira. Helena personifica a síntese entre competência técnica, compromisso institucional e defesa coletiva dos direitos dos trabalhadores da educação.

Agradeço ao Sintufsc por esta homenagem e por impulsionar políticas que rompem com a tradição de invisibilizar o TAE – como registra este primeiro título emérito concedido à nossa categoria; celebro a alegria de ter trabalhado aqui, enfrentando desafios de trabalho e sindicais ao longo de 33 anos, convivendo com estudantes – em especial do curso de Direito, que tanto contribuíram para minha formação e para a vida desta instituição; deixo meu carinho às amizades e à militância coletiva sem as quais eu não estaria aqui, e dedico esta homenagem a vocês; a UFSC que nos abraça hoje é fruto da luta que abraçamos por décadas pela universidade pública, gratuita e de qualidade, pelos direitos humanos, sociais, políticos e econômicos dos trabalhadores e pela solidariedade entre os povos.

Ângela Olinda Dalri

A universidade homenageia Ângela por uma carreira de 30 anos marcada pela versatilidade institucional e pelo profundo compromisso com a universidade pública. Sua passagem por unidades estratégicas – Gabinete da Reitoria, Centro de Ciências Biológicas (CCB), Centro Socioeconômico (CSE) e Centro de Comunicação e Expressão (CCE) – sempre conciliando trabalho e formação acadêmica, demonstra dedicação e capacidade de adaptação. O título de técnica-emérita reconhece especialmente seu papel fundador no Sintufsc, onde exerceu a coordenação-geral e tornou-se referência em articulação política e mobilização coletiva. Mesmo aposentada desde 2009, Ângela manteve viva sua vocação de acolhimento, estendendo solidariedade a estudantes e trabalhadores imigrantes. A UFSC celebra nela a ética, a solidariedade e o compromisso permanente com a construção coletiva de direitos, valores essenciais à universidade pública.

Estar aqui e reafirmar que ninguém caminha sozinho: se realizei o trabalho foi porque muitas pessoas estiveram lado a lado comigo; este é um momento de alegria e também de compromisso, pois há muitas e muitos que merecem ser homenageados; a universidade, como o nome diz, é o lugar onde conversam os saberes – espaço de construção e desconstrução, de aprender outras verdades que nos fazem refletir sobre a vida e sobre o outro; agradeço à minha base familiar, de onde trouxe o sentido de servir, respeitar e acolher, e reafirmo o dever e o prazer de ser servidora pública, atendendo bem porque é o povo que nos sustenta; muito obrigada por esta homenagem, que recebo representando todas e todos que constroem, diariamente, a universidade pública.

Raquel Jorge Moysés

Representada por sua irmã Tânia Mara Moysés, Raquel é homenageada por seus 33 anos de contribuições decisivas em três frentes fundamentais. Na comunicação institucional, foi artífice da consolidação da Agência de Comunicação (Agecom) e da criação do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), liderando diretorias e coordenando o Jornal Universitário (JU), além de arquitetar a Política Pública de Comunicação da UFSC, reconhecida nacionalmente por suas diretrizes de transparência e participação. No campo acadêmico latino-americano, foi peça-chave no fortalecimento do pensamento crítico por meio do Observatório e das Jornadas Bolivarianas. Na dimensão sindical, exerceu a coordenação-geral do Sintufsc, protagonizando mobilizações históricas por carreira, contra o assédio moral e em defesa da universidade pública, além de promover iniciativas culturais como a mostra Eko Porã. A UFSC reconhece em Raquel a rara integração entre comunicação pública de qualidade, reflexão crítica e engajamento social transformador.

A partir de agora dou voz à minha irmã; sua trajetória como servidora pública, jornalista da UFSC e no curso só foi possível graças a tantas pessoas que fazem de nossas instituições organismos vivos; neste aniversário de 65 anos, celebramos a igualdade, mas também reconhecemos que desigualdades e repressão, por vezes, maculam nossas instituições; atravessamos tempos de rupturas e dores, guerras devastadoras, e a universidade deve ser o espaço onde tais iniquidades sejam denunciadas, discutidas e pensadas, para produzir um conhecimento justo que aponte caminhos a uma humanidade digna; nesta sessão solene, ela declara seu amor por todos os seres, muitas vezes invisíveis, que lutam por isso, e dedica a eles sua dignidade universitária, por serem eméritos na vida.

José de Assis Filho (in memoriam)

Representado por seu filho Adriano José de Assis, Assis é homenageado por ter transformado o atendimento estudantil em referência de cuidado e eficiência. Durante 23 anos no Departamento de Administração Escolar (DAE), até seu falecimento em 2008, ficou conhecido por sua memória excepcional e pela atenção personalizada a cada estudante. A UFSC reconhece que sua contribuição extrapolou o trabalho cotidiano: ocupou posições de liderança no Sintufsc, chegando à coordenação-geral, representou os técnicos no Conselho Universitário e integrou comissões estratégicas sobre Reforma Universitária e políticas de acesso e diversidade. Assis deixou um legado que combina profissionalismo técnico, ética do cuidado humano e firmeza nas lutas coletivas, tornando-se símbolo da valorização do servidor que transforma vidas através do serviço público.

Bom dia a todas e todos; cumprimento, na pessoa do meu pai toda a comunidade universitária, e agradeço ao Conselho Universitário por reconhecer, 17 anos após seu falecimento, o trabalho que ele dedicou a esta instituição que carregou no coração até o último suspiro; na sua última semana, ao receber uma breve alta, ele pediu para dar uma volta completa pela UFSC e, mesmo fraco, disse: ‘Está vendo? É a universidade mais linda do Brasil’; esse era o Assis — servidor público que honrou o serviço, defendeu a universidade pública, gratuita e de qualidade, e nos ensinou, com o exemplo, o valor de cuidar dessa casa que transforma vidas.

Educação como missão de vida

A sessão também celebrou trajetórias de quem fez da educação um projeto de vida. Receberam o título de Professor(a) Emérito(a) as docentes Esther Jean Langdon, Miriam Pillar Grossi, Luzinete Simões Minella e Rafael José de Menezes Bastos. As homenagens destacaram contribuições decisivas em Antropologia, estudos de gênero, etnologia e etnomusicologia indígenas, além da formação de novas gerações de pesquisadoras e pesquisadores. Na sequência, os títulos de Doutor(a) Honoris Causa foram concedidos à jurista e professora Dora Lúcia de Lima Bertúlio (in memoriam) e ao padre Vilson Groh, educador popular e articulador de redes comunitárias.

Para o reitor Irineu, as outorgas sintetizam a excelência acadêmica e reconhecem os “relevantes serviços prestados a esta instituição e às valiosas contribuições nas atividades de ensino, pesquisa e extensão ao longo de sua exemplar trajetória profissional.”

Como estabelece o CUn, as dignidades universitárias de Professor(a) Emérito(a) são conferidas a docentes aposentados pelos altos méritos profissionais e pelos relevantes serviços prestados à Instituição. Doutor(a) Honoris Causa, por sua vez, é destinado a personalidades eminentes — com ou sem diploma universitário — que se destacam nas artes, nas ciências, na filosofia, nas letras, na promoção da paz ou em causas humanitárias. A honraria reconhece reputações ilibadas, virtudes e ações cujo impacto ultrapassa interesses individuais e alcança a sociedade. Na sequência, um breve relato dos motivos pelos quais esses servidores foram reverenciados.

Rafael José de Menezes Bastos

A UFSC honra Rafael Bastos por consolidar a Etnologia e a Etnomusicologia Indígenas como campos de excelência nacional e internacional. Desde 1984 na instituição, construiu produção científica robusta com mais de cem publicações, projeção internacional como professor visitante em diversos países e reconhecimento como parecerista e conselheiro editorial. Suas contribuições institucionais foram estruturantes: fundou e coordenou o Núcleo de Estudos Arte, Cultura e Sociedade na América Latina e Caribe (MUSA) e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFSC), e integrou conselhos acadêmicos, formando gerações de pesquisadores e fortalecendo a Antropologia brasileira. Promovido a professor titular em 2014, representa a síntese entre rigor acadêmico, inovação no campo dos estudos indígenas e compromisso com a construção institucional.

Recebo este título com gratidão e humildade, lembrando que nada foi solitário: agradeço aos colegas que tiveram a coragem de me indicar e sustentar a proposta, aos estudantes — verdadeiros mestres no ofício de ensinar – e às parcerias que me trouxeram à UFSC; cheguei aqui após anos de trabalho junto a instituições públicas e a pesquisas de campo, especialmente com povos originários, em projetos que me formaram tanto quanto formei; devo muito a quem me abriu portas, convidou para investigar nossas fronteiras culturais e ambientais e acreditou em uma universidade que integra ensino, pesquisa e extensão; este reconhecimento pertence à comunidade que o tornou possível, e eu o celebro como compromisso renovado com o diálogo, a ciência e o respeito às culturas que nos ensinam a ver o Brasil em sua profundidade.

Esther Jean Langdon

Pioneira nos estudos de xamanismo, antropologia da saúde e povos indígenas, Esther é homenageada por uma carreira que transformou a UFSC em referência internacional nesses campos. Desde 1983 na Universidade, publicou mais de cem trabalhos, orientou mais de cem pesquisas e, como pesquisadora sênior mesmo após a aposentadoria, coordenou por mais de uma década o INCT Brasil Plural, impulsionando a internacionalização institucional. Seus estudos sobre os Siona e sobre saúde indígena tornaram-se referências nacionais. Laureada pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) e celebrada em coletânea da Editora da UFSC, Esther representa a união entre rigor científico, ética na pesquisa com povos tradicionais e impacto nas políticas públicas, especialmente na consolidação da saúde indígena no Brasil.

O tempo é pouco para tantos agradecimentos, mas registro minha gratidão à UFSC, às professoras e professores, às e aos estudantes que me acolheram e me convenceram a ficar; agradeço a quem me apoiou nos períodos de incerteza — da segurança provisória à proibição de contratações —, ao Departamento de Antropologia que garantiu minha permanência na cidade, aos núcleos que construímos coletivamente e a todas as pessoas que me deram a oportunidade de, ao longo de 42 anos, aprender sobre o Brasil, o pensamento do Sul Global e a importância de uma luta verdadeira pela democracia.

Miriam Pillar Grossi

A UFSC reconhece Miriam como referência global que projetou a instituição internacionalmente nos estudos de gênero e sexualidade. Desde 1989, fundou o Núcleo de Gênero, Identidades e Subjetividades (NIGS) (1991), orientou mais de 200 pesquisadores, desenvolveu metodologias qualitativas inovadoras e elevou o prestígio do Departamento de Antropologia e do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH). Coordenou o Instituto de Estudos de Gênero (IEG/UFSC), presidiu a Associação Brasileira de Antropologia (2004–2006) e atualmente é vice-presidente eleita da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES) (2023–2027) e coordena a Commission of Global Feminisms and Queer Politics. A homenagem valoriza sua liderança em articular ensino, pesquisa e políticas públicas, ampliando debates fundamentais sobre direitos, diversidade e democracia, e consolidando a UFSC como polo mundial dos estudos feministas e de gênero.

O reconhecimento que recebo hoje é também dos coletivos com quem construí alianças e que colocaram nossa universidade no patamar de excelência, desde a consolidação da antropologia, graduação e pós-graduação, à criação de núcleos, revistas, seminários e espaços culturais em gênero e diversidade; venho de uma geração que cresceu sob a ditadura e, com a volta da democracia, pôde transformar a universidade pública e a ciência brasileiras, ainda que enfrentando barreiras impostas às mulheres na ciência – tetos de vidro, silenciamentos, apropriações e assédio; reitero nossa demanda por uma formação obrigatória em gênero, sexualidade, identidades e enfrentamento às violências em todos os cursos, para que a UFSC siga formando profissionais capazes de reconhecer desigualdades e lutar por seu fim; renovo meu compromisso com uma democracia efetiva, que garanta educação de qualidade e direitos iguais a todas, todos e todes.

Luzinete Simões Minella

Intelectual pioneira dos estudos feministas no Brasil, Luzinete é homenageada por institucionalizar e consolidar esse campo na UFSC. Desde sua chegada após 1991, fortaleceu o Departamento de Sociologia e Ciência Política e o Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP), permanecendo ativa no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) onde coordenou a área de Estudos de Gênero. Sua atuação no IEG e na Revista Estudos Feministas, a organização do evento Fazendo Gênero e a articulação de redes nacionais sobre ciência, tecnologia e gênero foram decisivas para a legitimação acadêmica do campo. Autora de obras de referência sobre saúde reprodutiva, infância e saúde mental, formou gerações de pesquisadores e estabeleceu a UFSC como instituição fundamental para os estudos feministas brasileiros, unindo rigor crítico e sensibilidade social.

É difícil encontrar as palavras nesta hora, depois de tantas falas que já disseram tanto sobre nossa trajetória e empenho; sinto-me profundamente honrada com este reconhecimento, que representa o ápice de uma carreira acadêmica e pública construída coletivamente; agradeço à pós-graduação interdisciplinar em Ciências Humanas, à Cátedra Antonieta de Barros, ao Departamento de Sociologia e Ciência Política, às colegas do núcleo de estudos de gênero e à equipe da revista, cujo trabalho extrapola a produção acadêmica; às pessoas presentes e ausentes que contribuíram para minha formação e para a formação da minha geração; à minha família, meus filhos, meu neto Francisco, que me ensina diariamente a leveza, a ironia e o humor, tão necessários num mundo de guerras e emoções exacerbadas; e aos meus pais, que talvez jamais tenham sonhado com este caminho que abracei.

Doutor Honoris Causa

Dora Lúcia de Lima Bertúlio (in memoriam)

Representada por seu irmão Max Salustiano de Lima, Dora é homenageada por transformar o pensamento jurídico brasileiro sobre relações raciais e por protagonizar a institucionalização das ações afirmativas no ensino superior. Sua dissertação “Direito e Relações Raciais: uma introdução crítica ao racismo”, referência republicada em 2019, abriu caminhos teóricos fundamentais. Como Procuradora Federal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), atuou decisivamente na implementação de políticas afirmativas. Sua trajetória alcançou a Fundação Cultural Palmares, a Conferência de Durban e a Comissão de Juristas da Câmara dos Deputados, além da cofundação do Núcleo de Estudos Negros (NEN) em Florianópolis, e de coletivos de mulheres negras. Falecida em 2025, deixa legado vigoroso de articulação entre academia, políticas públicas e movimentos sociais na luta por justiça racial e cidadania plena.

Recebo esta honraria em nome de minha irmã, cuja trajetória acadêmica e política nos enche de orgulho; nascemos em Itajaí e crescemos sob o peso do racismo estrutural, mas também da resistência de nossa família, que enfrentou a repressão da ditadura e nunca abriu mão da educação e da justiça; minha irmã foi pioneira ao romper barreiras na escola, destacou-se no serviço público, defendeu comunidades quilombolas mesmo sob ameaças, qualificou-se com excelência, contribuiu para a implantação das cotas e estruturou marcos jurídicos que ampliaram direitos; agradeço à UFSC por reconhecerem essa história de coragem e compromisso com a democracia e a igualdade, e convido todos a celebrarem não apenas a conquista individual, mas o avanço coletivo que ela simboliza.

Padre Vilson Groh

A UFSC homenageia Padre Vilson por construir pontes concretas entre a universidade e as comunidades periféricas de Florianópolis. Desde o final dos anos 1970, sua imersão solidária nos morros da cidade, unindo fé, ecumenismo e ação por direitos, trabalho e dignidade, transformou realidades. Morador do Monte Serrat desde sua ordenação em 1981, articulou parcerias entre igreja, poder público e sociedade civil. Em 2011, fundou o Instituto Vilson Groh (IVG), rede que em 2022 atendeu mais de 22 mil pessoas e mantém convênios estratégicos com a UFSC, abrindo caminhos de formação técnica e superior para juventudes periféricas. Reconhecido nacionalmente, incluindo a Comenda da Ordem de Rio Branco (2025), representa o compromisso da universidade com a justiça social e a educação como instrumento de transformação e inclusão.

Não basta dizer que somos antirracistas, é preciso práticas diárias; dedico este título aos 40 mil jovens assassinados por ano no Brasil – como o jovem negro, pobre, morador da periferia, cujo funeral celebrei ontem -, às mães resistentes das comunidades, aos estudantes que ingressaram pelas cotas, às casas de candomblé e umbanda; pois tolerância é aprender a conviver com o diferente, e justiça social não é dádiva ou assistencialismo, mas garantir que o filho da periferia entre nesta universidade junto com o da classe média, com um Estado democrático cujo orçamento inclua a população negra, indígena, empobrecida; que a universidade abrace ainda mais essa realidade, transformando pesquisa em instrumento de formação.

Além dos homenageados e/ou seus representantes, também tiveram a palavra membros do Diretório Central dos Estudantes Luís Travassos (DCE), da Associação de Pós-Graduandos (APG), do Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical) e do Sindicato de Trabalhadores da UFSC (Sintufsc). Este último, quebrou o protocolo e chamou os homenageados ao palco para a entrega de placas.

No discurso de encerramento, o reitor combinou agradecimentos, um balanço institucional e um chamado à defesa da universidade pública. “Este momento memorável dos 65 anos da nossa universidade é um momento de muitas alegrias para toda a comunidade universitária”, afirmou, destacando que celebrar a data é, sobretudo, “agradecer a todas as pessoas que contribuíram para a universidade que temos hoje”. Ele também citou nominalmente servidores técnico-administrativos e professores agraciados com as dignidades universitárias, reconhecendo suas “trajetórias acadêmicas, administrativas, políticas e sociais”.

Ao traçar um panorama da instituição, Irineu ressaltou a capilaridade da UFSC em Santa Catarina, com presença em Florianópolis, Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville, o que a consolida como “referência nacional em diversas áreas do conhecimento”. Mencionou ainda a robusta estrutura da universidade — do ensino infantil ao superior, da pesquisa e da extensão. “Vejam a possibilidade de transformação social que a universidade oferece aos estudantes e também aos seus familiares”, enfatizou.

Ao destacar que a universidade é “fruto de uma construção de várias gerações”, Irineu afirmou que, em 65 anos, a UFSC “contribuiu sobremaneira para o avanço cultural, artístico, científico e tecnológico do Brasil” e que o país precisa “diminuir as imensas desigualdades sociais”, tarefa na qual as universidades públicas são fundamentais. “Nossa comunidade continuará com o desafio de fazer com que a universidade seja cada vez mais forte e importante para os avanços de nossa sociedade. Viva a UFSC, hoje e sempre.”

Assista à sessão de aniversário da UFSC na íntegra:

Acompanhe também o site especial dos 65 anos da UFSC.

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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UFSC celebra 65 anos em 9 de dezembro, com homenagens a quatro técnicos-administrativos

25/11/2025 11:37

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) celebrará seus 65 anos com uma sessão solene no dia 9 de dezembro de 2025, às 14h30, no Auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, campus Trindade, em Florianópolis. A cerimônia contará com uma programação cultural e entrega, pela primeira vez na instituição, homenagens a quatro técnicos-administrativos em Educação (TAEs) referências em suas áreas de atuação.

Na sequência, um breve relato das trajetórias, extraído dos pareceres aprovados no Conselho Universitário no dia 18 de novembro deste ano:

Ângela Olinda Dalri

Ângela Olinda Dalri. Foto: Acervo Sintufsc

Nascida em 11 de agosto de 1958, Ângela ingressou na UFSC em 8 de março de 1979 como Agente Administrativa, posteriormente reenquadrada como Assistente em Administração. Graduou-se em Licenciatura em Geografia pela própria UFSC em 1990, conciliando a qualificação acadêmica com o trabalho na universidade.

Ao longo de três décadas de serviços prestados à instituição, atuou em diferentes unidades, sempre com reconhecido comprometimento: no Gabinete do Reitor; no Centro de Ciências Biológicas (CCB), onde trabalhou na Secretaria do Centro e no Departamento de Farmacologia; no Centro Socioeconômico (CSE), colaborando nos cursos de graduação e pós-graduação em Administração; e no Centro de Comunicação e Expressão (CCE), no curso de Cinema. Aposentou-se em 18 de agosto de 2009.

Foto: Acervo Sintufsc

Foi uma das protagonistas da criação do Sintufsc, consolidando um espaço coletivo de defesa de direitos dos trabalhadores em educação. Participou de diversas gestões do sindicato (1997–1999, 1999–2001 e 2001–2003), chegando à coordenação-geral, e tornou-se conhecida pela capacidade de articulação, senso de responsabilidade e presença constante nas mobilizações e greves em defesa da universidade pública.

Mesmo após a aposentadoria, manteve forte atuação social, com acolhimento concreto a estudantes e trabalhadores imigrantes, oferecendo moradia e alimentação — gesto amplamente reconhecido pela comunidade local. Sua trajetória é frequentemente associada ao verbo “acolher”, traduzindo um compromisso ético, humano e permanente com a educação pública.

Helena Olinda Dalri

Helena Olinda Dalri. Foto: James Tavares/Acervo Agecom

Nascida em 2 de agosto de 1962, Helena ingressou na UFSC em 4 de março de 1981 como Agente Administrativa, tendo sido posteriormente reenquadrada como Assistente em Administração. Concluiu a graduação em Ciências Econômicas pela própria universidade em 1987, conciliando formação acadêmica com atuação dedicada no Curso de Direito do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ).

Ao longo de 33 anos de serviço, até a aposentadoria em 11 de dezembro de 2014, consolidou-se como referência pelo atendimento competente, acolhedor e comprometido, a ponto de ter sido paraninfa e nome de turmas de formandos, além de constar em agradecimentos de inúmeros trabalhos acadêmicos. Em 2012, a convite dos estudantes, compôs a mesa de abertura do VII Congresso Direito UFSC, nas comemorações dos 80 anos do curso e do Centro Acadêmico XI de Fevereiro, ocasião em que foi publicamente homenageada.

Foto: Acervo Sintufsc

Helena representou a categoria técnico-administrativa no Conselho Universitário em dois períodos — de agosto de 1997 a agosto de 1999 e entre abril de 2013 e dezembro de 2014 —, contribuindo com debates estratégicos para a instituição. Em 2012, recebeu da Câmara de Vereadores de Florianópolis a Medalha de Mérito Francisco Dias Velho, honraria concedida a personalidades que prestam serviços relevantes à comunidade.

Sua trajetória é indissociável da organização sindical na UFSC. Desde os primeiros anos na universidade, integrou o Movimento Alternativo Independente, que protagonizou a luta pela criação do sindicato da categoria. Em 1991, participou da direção da Associação dos Servidores da UFSC e contribuiu para a transformação da entidade em sindicato — um marco histórico na defesa dos direitos trabalhistas. Compôs a direção do Sintufsc nos períodos de 1997 a 1999 e de 1999 a 2001, desempenhando papel central nas grandes greves das décadas de 1980, 1990 e 2000.

José de Assis Filho (in memoriam)

José de Assis Filho. Foto: Acervo Sintufsc

Nascido em 12 de outubro de 1954, Assis ingressou na UFSC em 28 de junho de 1985 e dedicou cerca de 23 anos à instituição, até seu falecimento em março de 2008. Sua passagem pela universidade foi marcada por um carinho notório pela comunidade acadêmica e por uma atuação que deixou marcas profundas no cotidiano institucional.

No Departamento de Administração Escolar (DAE), Assis construiu reputação de excelência. Era conhecido pela presteza, pela gentileza e pela rara capacidade de resolver demandas com eficiência. Colegas e estudantes lembram sua memória prodigiosa nos tempos dos arquivos em papel, quando conhecia “cada pasta” dos milhares de alunos da UFSC, orgulho que traduzia o cuidado com que tratava cada atendimento.

A dedicação à universidade também se expressou na militância. Assis integrou a direção do Sintufsc em sucessivas gestões (1999–2001, 2001–2003, 2003–2005, 2005–2006 e 2007–2009), chegando à coordenação-geral e desempenhando outras funções estratégicas. Entre 1999 e 2001, representou a categoria no Conselho Universitário ao lado de Gerson Rabelo Napoleão. Em 2004, participou da comissão de debates sobre a Reforma Universitária e, em 2006, integrou a comissão responsável por elaborar proposta preliminar de política de ampliação de oportunidades de acesso socioeconômico e diversidade étnico-racial para o vestibular.

A relação próxima com os estudantes marcou profundamente sua trajetória. Com temperamento afável, postura firme nas lutas coletivas e generosidade no cotidiano, construiu a imagem de um servidor que combinava elevado profissionalismo com uma ética do cuidado.

Raquel Jorge Moysés

Raquel Jorge Moysés. Foto: Jones Bastos/Acervo Agecom

Nascida em 20 de maio de 1958, Raquel dedicou 33 anos à UFSC, de 14 de janeiro de 1981 até 6 de maio de 2014, período em que foi decisiva para a consolidação da Agência de Comunicação (Agecom) e para a criação e fortalecimento do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA). Formada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 1980, especializou-se em Jornalismo Científico em 1983 e concluiu doutorado em Comunicação Social pela Università Cattolica del Sacro Cuore, na Itália, em 1990.

Na Agecom, Raquel iniciou como repórter e, em 1994, assumiu a chefia da Divisão de Jornalismo. Três anos depois, passou à Diretoria de Jornalismo e Marketing, função que exerceu até 2001. Nesse período, coordenou o Jornal Universitário (JU), então referência nacional em comunicação no ambiente acadêmico. Foi também uma das articuladoras da Política Pública de Comunicação da UFSC, documento que se tornou modelo para outras instituições do país por estabelecer diretrizes de transparência, interesse público e participação social na comunicação institucional.

Foto: Acervo Sintufsc

Sua atuação expandiu-se para o campo dos estudos latino-americanos. Em 2004, integrou o projeto Observatório Latino-Americano e, em 2006, esteve no grupo fundador do IELA, primeiro instituto do gênero em universidades brasileiras. No instituto, produziu conteúdo e organizou debates, com destaque para as Jornadas Bolivarianas, evento que desde 2004 reúne pesquisadores do Brasil e do exterior para pensar criticamente a conformação política, econômica e social do continente.

Comprometida com as lutas sociais e com a defesa da universidade pública, Raquel exerceu papel destacado no Sintufsc. Foi diretora de Comunicação e, posteriormente, coordenadora-geral, participando das gestões 2001–2003, 2003–2005, 2005–2006 e 2007–2009. Liderou mobilizações contra o assédio moral, em defesa da valorização da carreira técnico-administrativa e pela universidade pública e gratuita. Nos anos 2000, organizou a mostra cultural Eko Porã, que resgatou, no espaço universitário, a celebração da primavera a partir de referências indígenas brasileiras e latino-americanas.

Reconhecimento e memória institucional

O conselheiro relator Diego Santos Greff, que elaborou o parecer sobre a proposta de criação do título, enfatizou o papel crucial dos TAEs para o funcionamento das universidades federais brasileiras. Segundo o relatório, esses profissionais desempenham atividades essenciais, como a gestão de recursos, suporte a processos acadêmicos, implementação de políticas públicas e modernização administrativa.

“A concessão do título de emérito para a categoria dos técnicos seria uma forma justa e simbólica de reconhecer aqueles que se destacaram por sua dedicação, competência e impacto positivo na nossa instituição”, afirmou o relator.

O servidor Ricardo João Magro, autor da proposta, destacou a relevância desse reconhecimento: “Os TAEs fazem parte da história da universidade, a criação do título seria um importante fator para a preservação da memória institucional, além de um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por estes profissionais ao longo de sua passagem pela UFSC”.

A concessão desses primeiros títulos representa não apenas o reconhecimento de trajetórias individuais marcadas pela excelência e dedicação, mas também a valorização de toda a categoria técnico-administrativa, cuja contribuição é indispensável para o funcionamento e a qualidade da universidade pública brasileira.

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Abertura da Sepex 2025 da UFSC traz relatos pessoais e debates científicos com pesquisadoras

22/10/2025 08:08

Lorrane Olivlet, Paola Delben, Marina Hirota e Marcelo Schappo gravaram o programa Estúdio Ciência. Foto: Salvador Gomes/Agecom/UFSC

Participar de um lançamento de cargas a bordo de um avião Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira, não é para qualquer um. Imagine você do lado de dentro desse avião enorme, com quatro motores. A aeronave está em voo. Há uma porta aberta ao fundo do avião, como uma rampa, por onde a carga precisa ser empurrada. O chão passa lá embaixo.

Essa técnica serve, por exemplo, para “entregar” encomendas na Antártica. Do lado de dentro, você usa um uniforme especial, com um cabo que lhe prende ao teto – uma precaução para que você não se vá junto com a carga. Agora imagine que esse uniforme não lhe sirva, que seja grande demais. Você é mulher e eles não têm essas roupas para mulheres. Pois chegou o dia em que tiveram de fazer.

Essa é uma das histórias que foram contadas na mesa de abertura da 22ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na noite de terça-feira, 21 de outubro, no Auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no bairro Trindade, em Florianópolis.

A história se passou com a psicóloga Paola Delben, que fez graduação, mestrado e doutorado na UFSC, esteve sete vezes na Antártica e estuda regiões polares e ambientes isolados, confinados e extremos (ambientes ICE), como desertos e montanhas.

Três pesquisadoras e debatedoras

Apresentação Xokleng com danças e cantos de celebração. Foto: Salvador Gomes/Agecom/UFSC

Ela foi uma das participantes da conferência de abertura da Sepex 2025, evento que se estende até quinta-feira, 23 de outubro. Paola contou a história ao lado da engenheira biomédica e divulgadora científica da temática espacial Lorrane Olivlet e da professora do Departamento de Física da UFSC Marina Hirota, estudiosa do clima e da Amazônia.

O debate entre as pesquisadoras teve o tema Dos extremos do clima aos extremos do espaço, mas houve espaço para os relatos como os de Paola. A conferências foi também a gravação de um episódio especial do Estúdio Ciência, programa da TV UFSC em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). O debate foi conduzido pelo apresentador do programa, o físico e escritor Marcelo Schappo, professor do IFSC e coordenador do Pint of Science, maior festival de divulgação científica do mundo.

A conferência, que começou às 19h05, foi antecedida por uma mesa de abertura com autoridades, com tradução simultânea para libras. Por volta das 18h30, o secretário de Comunicação da UFSC, Marcus Paulo Pessôa da Silva, conduziu a cerimônia dando boas-vindas aos presentes no Auditório Garapuvu. Ele destacou a grandiosidade do evento, com mais de 80 estandes na Feira de Ciências e outras atrações. Marcus agradeceu o empenho da equipe responsável pela organização da Sepex 2025, destacando nominalmente a servidora Camila Pagani, como secretária executiva do evento.

Mesa de autoridades 

Professores Werner Kraus, Dilceane Carraro, William Gerson Matias, Olga Regina Zigelli Garcia e Irineu Manoel de Souza. Foto: Salvador Gomes/Agecom/UFSC

Na sequência, indígenas Xokleng fizeram uma apresentação no palco com dança e cantos utilizados em celebrações. Também falaram ao microfone convidando o público a acompanhar a programação temática indígena na Sepex 2025.

O secretário de Comunicação chamou ao palco para compor a mesa: o reitor Irineu Manoel de Souza; a pró-reitora de Extensão, Olga Regina Zigelli Garcia; o pró-reitor de Pesquisa e Inovação em exercício, William Gerson Matias; a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro, e o pró-reitor de Pós-Graduação, Werner Kraus.

A primeira a falar foi a professora Dilceane Carraro. Ela destacou a valorização do ensino de graduação, as políticas de permanência e as ações de combate à evasão. Também comentou sobre as novas formas de ingresso na UFSC, que visam ao preenchimento de vagas nos cursos da Universidade. Na sequência, a professora Olga Regina Zigelli Garcia lembrou de quando a Sepex era um evento mais ligado à extensão universitária. Atualmente, conforme a professora, o evento diz respeito a todas as ações da UFSC e da comunidade. “Não entendemos a sociedade como um local vazio que precisa ser preenchido com conhecimento, mas como um espaço de cocriação com a Universidade”, explicou a professora Olga.

O professor William Gerson Matias lembrou, em sua fala, que a Universidade triplicou os recursos captados na área de pesquisa nos últimos anos. Mas também destacou o processo de humanização da produção científica. Já o professor Werner Kraus lembrou, entre outras ações, aqueles projetos de extensão com escolas.

“O que a UFSC faz de melhor”

Lorrane Olivlet passou pela Feira de Ciências antes de ir à conferência. Foto: Salvador Gomes/Agecom/UFSC

O professor Irineu Manoel de Souza destacou a excelência da UFSC, como uma das melhores universidades do Brasil. Agradeceu o empenho de toda a comunidade universitária para a realização da Sepex 2025.

“É o evento que apresenta à sociedade o que a UFSC faz de melhor”, qualificou o reitor.

O professor Irineu, assim como os demais presentes da mesa de autoridades, agradeceu a presença do prefeito de Curitibanos, Kleberson Lima, ao evento de abertura.

Após a fala de todos, houve o início da conferência e gravação do programa Estúdio Ciência da TV UFSC. Entraram no palco as cientistas e suas histórias, de superação, de sucesso, de preocupação com o futuro, de sensibilidade para a formação de novas cientistas… com o uniforme que lhes couber e nos espaços que quiserem.

 

 

 

 

Confira a galeria de fotos neste link.

Texto: Agecom/UFSC

Fotos: Salvador Gomes/Agecom/UFSC

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Joana Célia dos Passos: escolas de samba ensinam a história não contada

29/09/2025 13:31

Conasamba 2025 contou com o apoio institucional da UFSC. Fotos: Divulgação

A Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) promoveu a mesa de debates intitulada “As instituições públicas, a Universidade, os Institutos Federais e o poder público na construção do maior espetáculo da terra — Reunião GT Carnaval do Ministério da Cultura (MinC)”. O evento ocorreu na tarde do último sábado, 27 de setembro de 2025, no Auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos Luiz Carlos Cancellier de Olivo, campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

Essa atividade integrou a programação do Congresso Nacional das Escolas de Samba (Conasamba) 2025, realizado entre os dias 26 e 28 de setembro no campus da UFSC. O evento reuniu lideranças do samba, gestores públicos, pesquisadores, estudantes e representantes de escolas de samba de diversas regiões do país. Entre os participantes a vice-reitora da Universidade Joana Célia dos Passos, que ofereceu reflexões sobre o papel das universidades na valorização do samba e do carnaval como patrimônios culturais.

Joana destacou a contribuição de Candeia Filho e Isnard Araújo, que, em 1978, no livro Escola de samba: árvore que esqueceu a raiz, já questionavam o papel dos intelectuais junto às escolas de samba. Segundo os autores, “Os intelectuais que estão vinculados às escolas de samba e que vieram junto com a classe média precisam conhecer os problemas do sambista, respeitar suas características, conhecer suas origens, a fim de que sua contribuição esteja integrada ao meio sem ferir a nossa cultura”. A vice-reitora associou essa reflexão ao significado de a UFSC sediar, pela primeira vez, o Conasamba, ressaltando a necessidade de fortalecer a ligação entre a Universidade e as comunidades que produzem o samba e o carnaval, promovendo um intercâmbio mutuamente enriquecedor.

Joana também analisou o uso do termo “escola” para designar as agremiações carnavalescas, pontuando que essas instituições ensinam “a história que a história não conta”, ao revelar aspectos da sociedade brasileira que frequentemente ficam à margem dos registros oficiais. Ela enfatizou a importância de a UFSC se abrir para esse diálogo, aprendendo com as escolas de samba e reconhecendo o valor cultural, social e histórico que elas representam.

Dando continuidade às discussões iniciadas no Conasamba 2024, que abordou o tema “A Escola de Samba que queremos”, a edição de 2025 foi inspirada no princípio Sankofa, um símbolo ancestral da África Ocidental que propõe olhar para o passado como fonte de aprendizado para construir o futuro. A mesa de debates trouxe reflexões profundas sobre o papel das universidades e dos institutos federais no apoio à pesquisa, formação e inovação relacionadas ao carnaval, além de destacar a importância de articular poder público, cultura e economia criativa para valorizar o samba em seus diversos territórios, indo além das grandes produções do Rio de Janeiro e São Paulo.

As discussões também abordaram questões centrais relacionadas às políticas públicas voltadas ao financiamento, à preservação da memória e à salvaguarda das tradições das escolas de samba, consideradas fundamentais para a manutenção e o fortalecimento desse rico patrimônio cultural. Outro ponto de destaque foi a apresentação de estratégias de cooperação interinstitucional, com o objetivo de qualificar processos, gerar trabalho e renda e promover a sustentabilidade no ciclo do carnaval, reafirmando o compromisso com a valorização das práticas culturais que dão vida a essa manifestação artística singular.

O Conasamba 2025 contou com o apoio institucional da UFSC, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), além do patrocínio do Sebrae.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

 

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Conasamba 2025 discute na UFSC, dia 27, futuro do carnaval

23/09/2025 13:33

A Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) convida para a mesa de debates “As instituições públicas, a Universidade, os Institutos Federais e o poder público na construção do maior espetáculo da terra — Reunião GT Carnaval do Ministério da Cultura (MinC)”. A iniciativa será realizada no sábado, 27 de setembro de 2025, das 14h às 17h, no Auditório Guarapuvu, do Centro de Cultura e Eventos Luiz Carlos Cancellier de Olivo, campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

A atividade integra a programação do Congresso Nacional das Escolas de Samba (Conasamba) 2025, que ocorrerá entre os dias 26 e 28 de setembro no campus da UFSC, reunindo lideranças do samba, gestores públicos, pesquisadores, estudantes e representantes de escolas de samba de todo o país. Em continuidade aos debates iniciados em 2024 – quando discutiu-se “a Escola de Samba que queremos” -, a edição 2025 é inspirada no princípio Sankofa, símbolo ancestral da África Ocidental que conclama a aprender com o passado para projetar futuros possíveis. As inscrições estão abertas e podem ser feitas neste link.

Com esse horizonte, a mesa propõe refletir sobre:

  • O papel das universidades e dos institutos federais na pesquisa, formação e inovação para o carnaval
  • A articulação entre poder público, cultura e economia criativa na valorização do samba em todos os territórios, para além dos megaespetáculos do Rio de Janeiro e de São Paulo
  • Políticas públicas, financiamento, preservação de memória e salvaguarda das tradições das escolas de samba
  • Estratégias de cooperação interinstitucional para qualificação de processos, trabalho e geração de renda no ciclo do carnaval

O Conasamba 2025 conta com apoio institucional da UFSC, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), além do patrocínio do Sebrae.

Serviço

Evento: Mesa de Debates – As instituições públicas, a Universidade, os Institutos Federais e o poder público na construção do maior espetáculo da terra – Reunião GT Carnaval do MinC
Data e horário: sábado, 27 de setembro de 2025, das 14h às 17h
Local: Auditório Guarapuvu, do Centro de Cultura e Eventos da UFSC, campus Trindade, em Florianópolis
Integra: Conasamba 2025 (26 a 28 de setembro)

 

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