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Colegiado da UFSC abre debate sobre revisão do regulamento dos cursos de graduação
O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abriu a sessão desta terça-feira, 2 de junho, com o debate sobre a proposta de revisão da Resolução nº 17/CUn/97 – que dispõe sobre o Regulamento dos Cursos de Graduação da UFSC -, solicitado pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).O conselheiro Sergio Romanelli, relator do processo, iniciou os trabalhos apresentando uma análise de dezenas de sugestões enviadas por conselheiros por meio de formulários. Segundo ele, o objetivo era modernizar uma resolução que hoje não atende à complexidade atual da graduação, destacando que o novo texto inclui capítulos inéditos sobre permanência estudantil e flexibilização de normas para reduzir a evasão.
Entretanto, o relator não acolheu a maioria das sugestões enviadas pela representação discente, como a paridade nos conselhos e o direito a voz e voto dos estudantes no Núcleo Docente Estruturante (NDE). Romanelli argumentou que mudanças na composição dos colegiados dependem de normativas superiores e que o NDE, por natureza, é um órgão técnico de professores.
Representatividade estudantil
A conselheira Amanda Zamboni afirmou que a Câmara de Graduação não foi o espaço ideal para o debate, pois possui baixa representatividade discente. Ela defendeu que a exclusão de estudantes com faltas disciplinares de cargos de representação, conforme previsto no texto, fere a autonomia do movimento estudantil.
Para Amanda, a nova resolução não apresenta avanços reais para o cotidiano dos alunos. “Tiramos a principal polêmica [o programa de acompanhamento discente punitivo] e agora a gente vai estar tentando aprovar uma resolução que no cotidiano estudantil não tem avanço nenhum”, declarou a conselheira. Ela ainda reforçou a necessidade de participação discente na elaboração dos cursos: “A gente tem o direito de estar nos espaços de elaboração do que são os cursos”.
O conselheiro Mateus da Costa Martins endossou as críticas, ressaltando que a discussão é um “acúmulo histórico” do movimento estudantil. Ele argumentou que a universidade deve ser um espaço de confronto de visões para gerar uma síntese de futuro. Martins pontuou que os estudantes buscam coisas básicas: “A gente quer mais paridade nos conselhos e colegiados”.
Outro ponto de grande tensão foi o Artigo 49, que estabelece o mínimo de 12 alunos para o funcionamento de uma turma. O conselheiro Paulo Horta defendeu a exclusão desse limite, argumentando que turmas menores garantem melhor qualidade de ensino e respeitam a diversidade de interesses dos alunos, especialmente em cursos práticos como a Biologia. “A nossa universidade ela precisa atentar para essa importância de nós termos cada vez mais a diversidade do nosso público respeitada”, afirmou Horta, classificando o número como sem base didática operacional.
Por outro lado, o conselheiro Raphael Falcão da Hora alertou para o risco de inviabilizar os departamentos caso o número mínimo seja reduzido, devido à falta de docentes. Segundo ele, sem dados estatísticos claros para a distribuição de vagas, a conta “simplesmente não fecha”. Em resposta, Paulo Horta disse que “se a gente tá precisando de professor, vamos para Brasília pedir para contratar, não podemos cortar na carne naquilo que é a qualidade do processo de educação”.
Apesar dos apontamentos do relator pela urgência da aprovação — alegando que o debate poderia continuar na Câmara de Graduação após a entrada em vigor da norma — o conselheiro Mateus formalizou o pedido de vistas, justificando a ação como uma forma de buscar uma “mediação possível” e garantir que a comunidade acadêmica avance junta. Com isso, a revisão da Resolução 17 permanece em aberto por tempo indeterminado.
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Administração Central da UFSC esclarece sobre projeto de extensão ‘Pontes de Esperança’
A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem a público esclarecer informações relacionadas ao projeto de extensão Pontes de Esperança: atravessando 40 anos do cultivo colaborativo de comunidades ecológicas para nutrir futuros sustentáveis e à instalação de uma obra artística no campus Trindade.
A iniciativa integra um conjunto de ações que marcam mais de quatro décadas de relações acadêmicas, científicas e extensionistas desenvolvidas entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ao longo desse período, essas relações resultaram em pesquisas, projetos de extensão, atividades de ensino, estágios, cursos de especialização, programas de pós-graduação e ações de formação voltadas à educação, ao desenvolvimento rural e à produção de conhecimento em diferentes áreas. Diversos centros de ensino da UFSC participaram e participam dessa trajetória, entre eles o Centro de Ciências da Educação (CED), o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), o Centro de Ciências Agrárias (CCA), o Centro de Ciências da Saúde (CCS), o Centro Socioeconômico (CSE), o Centro Tecnológico (CTC), o Centro de Desportos (CDS), além do Colégio de Aplicação e do Campus Curitibanos.
A UFSC também desenvolve, desde o ano 2000, ações vinculadas ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), abrangendo iniciativas de alfabetização de jovens e adultos, formação de professores, ensino médio, cursos de especialização e mestrado profissional. Há cerca de quinze anos, a Universidade promove ainda a Jornada Universitária da Reforma Agrária, reunindo docentes, estudantes, pesquisadores e representantes da sociedade para o debate de temas relacionados ao desenvolvimento rural, à educação e à produção de alimentos.
Nesse contexto, o MST constitui um importante objeto de estudo e interlocução acadêmica da Universidade. Trata-se de um movimento social que, ao longo de sua trajetória, esteve associado a experiências de educação do campo, organização comunitária, produção agroecológica e desenvolvimento rural. Entre suas iniciativas amplamente reconhecidas está a produção de alimentos por meio de cooperativas e assentamentos, destacando-se como o maior produtor de arroz agroecológico da América Latina.
O projeto Pontes de Esperança, regularmente registrado no Sistema Integrado de Gerenciamento de Projetos de Pesquisa e de Extensão (SIGPEX), tem entre seus objetivos a criação de uma obra artística alusiva aos 40 anos da relação entre campo e cidade, a construção de um memorial dedicado à memória das lutas dos trabalhadores, a realização de oficinas de arte e ecopedagogia, a produção de um documentário audiovisual e o desenvolvimento de atividades culturais e educativas voltadas à preservação da memória e à reflexão sobre desafios contemporâneos relacionados à sustentabilidade, à educação e à justiça social.
A obra artística está sendo instalada na base da antiga Concha Acústica da UFSC, espaço historicamente destinado a atividades culturais e de convivência. A proposta prevê a preservação da memória do local, a restauração da estrutura existente e a manutenção da livre circulação de pessoas, contribuindo para a recuperação e requalificação de uma área de uso coletivo da comunidade universitária.
A Universidade esclarece, ainda, que os recursos financeiros destinados ao projeto são provenientes de fonte externa, por meio de emenda parlamentar específica destinada à sua execução. Assim, a obra não utiliza recursos do orçamento da UFSC, não compromete investimentos em ensino, pesquisa, extensão, assistência estudantil, infraestrutura ou quaisquer outras atividades institucionais da Universidade.
Como instituição pública, gratuita, laica e socialmente referenciada, a UFSC mantém diálogo permanente com os mais diversos segmentos da sociedade brasileira. Essa interação se materializa por meio de projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos em parceria com movimentos sociais, entidades científicas, organizações comunitárias, cooperativas, órgãos públicos, instituições culturais, empresas e demais organizações da sociedade civil, em conformidade com os princípios constitucionais da autonomia universitária, da liberdade acadêmica e do pluralismo de ideias.
A Administração Central reafirma seu compromisso com a transparência, com a produção de conhecimento de interesse público e com a valorização da história das relações institucionais que contribuíram para a construção da Universidade e para o desenvolvimento da sociedade brasileira.
Administração Central da UFSC
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Prestação de contas anual da UFSC é aprovada pelo Conselho Universitário
O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), reunido em sessão extraordinária na tarde desta terça-feira, 2 de junho, avaliou e aprovou, por unanimidade, a prestação de contas da instituição referente ao exercício financeiro de 2025, por solicitação do Gabinete da Reitoria (GR). A equipe da Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan/UFSC) esteve presente na sessão para acompanhar o relatório.Em sessão dedicada ao detalhamento técnico e à análise da conjuntura financeira da instituição, o conselheiro-relator, Luís Augusto dos Santos Madureira, apresentou extenso parecer que sistematiza os principais indicadores de gestão, desempenho acadêmico e execução orçamentária do período. Ressaltou que o trabalho se limitou aos “aspectos formais dos relatórios”, sem avaliar o mérito dos dados — responsabilidade da gestão —, e enfatizou que a universidade atuou sob persistentes restrições orçamentárias, o que exigiu da administração central interlocução contínua com o governo federal e com a bancada catarinense para mitigar desafios estruturais e conter o aumento dos custos operacionais.
O relatório apresentado pelo conselheiro detalhou que a UFSC contou com uma dotação de aproximadamente R$ 2,45 bilhões em 2025, dos quais a maioria, cerca de 90,65%, foi destinada ao programa de gestão e manutenção do poder executivo, que cobre despesas com pessoal ativo e inativo. Madureira observou que, após o pagamento de folha e encargos, restou uma margem de apenas 7,12% para atender despesas de custeio, como manutenção e infraestrutura, e um percentual ainda menor, de 0,06%, para investimentos de capital. Segundo o relator, essa configuração orçamentária reflete uma realidade onde a instituição precisa preservar o “núcleo essencial da missão universitária”, garantindo a manutenção do ensino, da pesquisa, da extensão e, prioritariamente, das políticas de permanência estudantil, como o funcionamento do Restaurante Universitário (RU) e da moradia.
Além dos números financeiros, o parecer trouxe uma análise de governança fundamentada no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), listando pontos positivos como a qualificação do corpo docente e a transparência dos processos decisórios, mas também apontando fragilidades como a carência de sistemas automatizados e a lentidão em alguns fluxos administrativos. O conselheiro relatou que a Auditoria Interna (Audin) da UFSC considerou que o relatório de gestão obedeceu aos princípios exigidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), alcançando uma aderência de 87% aos requisitos avaliados. Em sua conclusão, Madureira afirmou que, diante da análise dos documentos e dos pareceres prévios da Audin e do Conselho de Curadores, manifestou-se “favorável à aprovação da prestação de contas anual”.
Antes da votação final, o reitor Irineu Manoel de Souza reforçou as dificuldades financeiras mencionadas no relatório, pontuando que, entre 2015 e 2025, as universidades federais sofreram uma redução real de 50% em seu orçamento, o que desestrutura qualquer planejamento a longo prazo. O debate também contou com questionamentos da conselheira Cátia Regina Carvalho Pinto, ao que a equipe da Seplan esclareceu que o relatório de gestão funciona como um “retrato” do estado da universidade em 31 de dezembro, podendo sofrer alterações dinâmicas ao longo do ano seguinte.
Sem votos contrários ou abstenções, o pleno do CUn encerrou o processo validando a gestão financeira de 2025 e reconhecendo os esforços institucionais para manter a excelência acadêmica mesmo diante do quadro de asfixia orçamentária relatado.
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Reitoria da UFSC recebe vista de cooperação do Consulado do Haiti
O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, acompanhado da secretária de Relações Internacionais da instituição, Fernanda Leal, recebeu na manhã desta terça-feira, 2 de junho, o cônsul-geral do Haiti em Santa Catarina, Jean-Euphèle Milcé, e o assessor do Consulado, John Landy Desilas. O encontro teve como pauta a discussão de possibilidades de cooperação e de iniciativas conjuntas nas áreas de ensino, pesquisa e extensão.Durante a reunião, Fernanda destacou o histórico da UFSC na acolhida de estudantes haitianos e ressaltou o potencial de ampliação das relações institucionais com o Haiti. Segundo a gestora, a universidade já recebeu alunos por meio do Programa Pró-Haiti, iniciativa emergencial realizada durante alguns anos. A secretária informou também que, até o momento, 43 estudantes haitianos já se formaram na UFSC em cursos de graduação, mestrado, doutorado e especialização, e, atualmente, 29 continuam estudando na instituição.
Fernanda acrescentou que os dados reunidos pela universidade demonstram a importância da cooperação com o país e avaliou que a presença da representação consular em Florianópolis contribui para abrir espaço a novas possibilidades de diálogo.
Ao agradecer a recepção, o cônsul-geral afirmou que havia grande expectativa em relação a esse encontro e destacou “a boa reputação da UFSC na comunidade universitária do Haiti”. Milcé também sinalizou o interesse do consulado em promover pontes entre instituições haitianas e brasileiras. Segundo ele, apesar da existência de estudantes haitianos já diplomados e matriculados na universidade, ainda não há acordos formais entre universidades haitianas e a UFSC, o que reforça a necessidade de avançar no tema. Para tanto, o consulado está à disposição para atuar como elo entre instituições dos dois países e favorecer o fortalecimento dos laços acadêmicos.
Na sequência, Fernanda defendeu a criação de um canal permanente de diálogo direto com universidades haitianas, com apoio do consulado e sugeriu que a UFSC adote estratégia semelhante à utilizada recentemente nas discussões de cooperação com instituições africanas, a partir da consulta a pesquisadores da universidade sobre o interesse em parcerias internacionais.
O reitor e a secretária reforçaram que, a partir desse mapeamento, seria possível identificar docentes e pesquisadores que já desenvolvem estudos relacionados ao Haiti, com vistas à formalização de acordos de cooperação. Os gestores indicaram a possibilidade de organizar uma consulta interna para levantar interesses acadêmicos e científicos e, com base nesses dados, estruturar futuras parcerias com instituições haitianas.O assessor Desilas evidenciou que “o Haiti é um país em que a afrodescendência tem um lugar muito particular na nossa história”. Para ele, o país construiu, ao longo do tempo, reflexões próprias sobre o tema, inclusive no ambiente universitário, e continua empenhado em colaborar com instituições que também se dedicam a essa agenda.
Fernanda compartilhou com os representantes o interesse da universidade e do governo brasileiro em ampliar a cooperação com o Sul Global. Neste sentido, a UFSC irá encaminhar ao consulado informações adicionais, sugestões de desdobramentos, modelos de convênio e programas institucionais e nacionais que eventualmente permitam a participação de estudantes haitianos.
A secretária destacou que a política de internacionalização da UFSC tem buscado se tornar mais cooperativa e situada, especialmente por meio do fortalecimento de vínculos com países da América Latina, da África e do Haiti.
Milcé chamou atenção para o crescimento da comunidade haitiana no Brasil e para o potencial acadêmico e científico dessa presença. Segundo ele, o fluxo migratório aumentou significativamente nos últimos anos e já constitui uma realidade importante também em Santa Catarina. O cônsul pontuou que esse contexto tende a gerar, no futuro, maior demanda por pesquisas sobre o Haiti em áreas como literatura, população, religiões e imigração. Em sua avaliação, o fortalecimento dessa agenda poderá exigir, no futuro, estruturas acadêmicas mais dedicadas ao tema.
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Mobilização estudantil possibilita parceria entre UFSC e MEC para reforma da moradia

Cerimônia de assinatura entre UFSC e MEC para reforma da Moradia Estudantil. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Educação (MEC) formalizaram, na tarde desta segunda-feira, 1º de junho, a ordem de serviço para a reforma e adequação da Moradia Estudantil (Casa do Estudante Universitário – CEU) do Campus Trindade, em Florianópolis. As obras incluem a reforma do sistema de aquecimento de água da ala antiga e da ala nova, com a substituição integral das antigas placas de aquecimento solar por bombas de calor; a reestruturação do sistema de esgotamento sanitário externo, com novo traçado da rede na área externa dos blocos para corrigir problemas estruturais e eliminar vazamentos; a revitalização e pintura interna e externa das edificações das alas antiga e nova e do módulo 3, além da pintura externa da moradia; e a substituição parcial de esquadrias e portas danificadas.
A intervenção atende a uma demanda histórica dos estudantes da UFSC e ganhou destaque após a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, à UFSC, em 8 e 9 de dezembro de 2025, quando lideranças estudantis entregaram uma carta de reivindicações denunciando as condições precárias da edificação.
A cerimônia contou com a participação do assessor parlamentar do Gabinete do Ministro da Educação, Leonardo Cunha de Brito; do diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC), Aristóteles Homero dos Santos Cardona Júnior; e, pela UFSC, do reitor, Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora, Olga Regina Zigelli Garcia; da pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; dos representantes do Conselho da Moradia, José Ronaldo Silva Ferreira, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Isadora Miranda; e da deputada federal Ana Paula Lima.
Representando o DCE, a estudante Isadora afirmou que as melhorias anunciadas para a moradia estudantil “foram conquistadas”, como resultado de uma articulação iniciada ainda em 2023 entre o diretório e os moradores. Segundo ela, a visita do Ministro da Educação, no fim do ano passado, abriu caminho para a elaboração de um projeto de reforma, mas a aprovação da nova Lei Orçamentária, em janeiro deste ano, com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais, acendeu o alerta sobre a execução da promessa.
Diante desse cenário, o DCE realizou uma caravana a Brasília, que foi atendida pelo MEC. Segundo Isadora, representantes do Ministério afirmaram que a destinação dos recursos ocorreu em tempo recorde em razão da mobilização estudantil. Ela também citou o apoio do deputado federal Pedro Uczai na interlocução com a pasta.
Apesar do avanço, Isadora disse que o montante liberado não cobre demandas consideradas urgentes, como a troca do elevador e a garantia de água quente nos banheiros. Para a representante, a vitória é “o primeiro passo” de uma luta pela dignidade estudantil, sustentada por uma trajetória histórica de mobilização que inclui a institucionalização da moradia após ocupações promovidas por universitários e pelo DCE.
“Foi uma experiência muito formadora”, afirmou, destacando que os estudantes se mobilizam “não por si, mas pelos próximos”, e agradeceu a acolhida do MEC e disse ver neste episódio um exemplo de como a organização estudantil “transforma o impossível em vitória”.
O assessor parlamentar Leonardo parabenizou o movimento estudantil e afirmou que o Ministério “está sempre de braços abertos para ouvir as reivindicações”. Ele destacou o papel social da UFSC, “referenciada mundialmente”, e declarou que, após anos difíceis entre 2016 e 2022, o governo atual retomou investimentos, com a educação incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) “pela primeira vez”.
Brito mencionou que a última visita do ministro Camilo Santana à moradia estudantil resultou na liberação de cerca de R$ 1,8 milhão para a reforma. Ele também agradeceu à Reitoria pela rapidez na elaboração dos projetos, considerados indispensáveia para a liberação dos recursos públicos.
O assessor acrescentou que o orçamento atual “é insuficiente”, mas afirmou que o governo trabalha para “recuperar o tempo perdido”, citando a recomposição orçamentária, os investimentos do PAC, a regulamentação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), em 2024, a revisão da Lei de Cotas, os reajustes salariais, os planos de carreira e a criação de cargos nos institutos federais.
Sobre o futuro, o assessor afirmou que o novo Plano Nacional de Educação, sancionado neste ano, prevê cerca de R$ 20 bilhões anuais, dos quais 15% seriam destinados às universidades — cerca de R$ 3 bilhões — para ampliar moradias, laboratórios e espaços acadêmicos.
A reforma da moradia estudantil é resultado de uma batalha orçamentária que o reitor Irineu descreveu como um dos maiores desafios desde que assumiu a Reitoria da UFSC, em 2022. Ao tomar posse, segundo ele, a gestão encontrou uma universidade em situação crítica. “Após a pandemia, pegamos a universidade muito sucateada”, afirmou o reitor, apontando que a redução orçamentária entre 2015 e 2025 chegou a 50%.
Irineu também citou o impacto direto de medidas do governo anterior, afirmando que a UFSC arcou com um custo de R$ 12 milhões que nunca foi reposto. Segundo o reitor, a consequência foi grave: em determinado momento, a instituição ficou sem condições de honrar seus próprios pagamentos. “Além de não ter recurso, foi atropelada toda a estrutura de fluxo de caixa da universidade”, disse o reitor.
Diante da escassez, “nossa decisão política foi privilegiar a dimensão humana da universidade”, declarou o reitor, ao enumerar bolsas de estudo, restaurantes universitários e qualidade de vida de servidores docentes e técnico-administrativos como eixos centrais dessa escolha.
Irineu chamou atenção para os valores das bolsas pagas na UFSC: a bolsa estudantil de R$ 1.004 supera a da Universidade de São Paulo (USP), que é de R$ 800. O reitor informou ainda que outras modalidades de bolsa, que chegaram a R$ 400, foram elevadas para a faixa de até R$ 800 ao longo da gestão.
A reforma da moradia estudantil, agora viabilizada com recursos federais, não foi uma conquista repentina. O reitor explicou que a universidade vinha estudando o tema desde 2023, elaborando projetos técnicos de esgoto, água quente e modificações estruturais, além de encaminhar solicitações mensais ao MEC.
Ele atribuiu o avanço da liberação dos recursos à mobilização dos estudantes que se dirigiram a Brasília e, por isso, agradeceu ao DCE, ao Conselho da Moradia e aos próprios moradores. Informou ainda que a reforma atual não contempla a instalação de elevador, mas que essa demanda já está sendo avaliada pela Prefeitura Universitária. Caso seja necessário, um processo licitatório para aquisição do equipamento será aberto.
Irineu reconheceu, porém, que a moradia atual atende apenas 156 estudantes, número insuficiente para a demanda da universidade. Por isso, segundo ele, já foi encaminhado ao novo PAC do governo federal um pedido de recursos para a construção de uma nova moradia estudantil, sinalizando que a reforma em curso é um passo importante, mas não definitivo.
Sobre a conquista mais recente da gestão, o reitor destacou a conclusão do alojamento indígena, iniciado e finalizado durante sua administração, ainda que com dificuldades, o que exigiu o redirecionamento de recursos de outras rubricas para a conclusão da obra.
Ao encerrar seu discurso, o reitor demonstrou confiança no impacto das obras. “Temos certeza de que será realmente um recurso bem empregado para o atendimento de uma necessidade básica, humanitária”, concluiu, agradecendo ao MEC pelo atendimento e reiterando o compromisso da universidade com a permanência estudantil.
A Moradia Estudantil abriga estudantes de cursos presenciais de graduação do campus-sede, oriundos de municípios fora da Grande Florianópolis e com renda per capita de até um salário mínimo. O contrato, resultante da Concorrência Eletrônica nº 90001/2026, no valor de R$ 1.345.545,96, abrange uma área de 4 mil metros quadrados e prevê execução até junho de 2027. A empresa responsável é a Ghimm Tec, com recursos provenientes de Termo de Execução Descentralizada (TED) do MEC e do orçamento da UFSC.
Ao final da cerimônia, Irineu Manoel de Souza (UFSC), Leonardo Cunha de Brito (MEC) e Isadora Miranda (DCE) assinaram a ordem de serviço da Moradia Estudantil. Após a assinatura, a comitiva visitou as instalações da CEU.
Rosiani Bion | Setor de Imprensa do GR
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